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Os segredos do conservadorismo

Buscar conhecimento é fundamental para o crescimento pessoal e intelectual, e compreender o conservadorismo é um passo significativo nesse processo.

Thiago Manzoni

Deputado Distrital eleito para a legislatura 2023-2026 pelo PL.

Conservador, defensor das liberdades individuais, da propriedade privada, da família e do empreendedorismo, Manzoni trabalha para fortalecer o conservadorismo, construir bases sólidas e capacitar os brasileiros a defenderem seus princípios e valores aonde estiverem.

O que é

O que é conservadorismo?

"O conservadorismo é uma perspectiva política e social que valoriza a preservação de tradições e valores fundamentais, demonstrando ceticismo em relação a mudanças radicais e favorecendo a ordem e a estabilidade na sociedade. Os conservadores acreditam que tradições e instituições são essenciais para a manutenção da coesão social e a continuidade histórica. Eles reconhecem que as mudanças devem ocorrer de forma gradual e respeitosa, levando em consideração e preservando os aspectos que foram funcionais e eficazes do passado até o presente. A busca por estabilidade e ordem é vista como uma proteção contra os excessos e riscos de transformações abruptas. O conservadorismo procura equilibrar a preservação das tradições com a necessidade de adaptação e evolução, visando ao bem-estar da sociedade como um todo."

Thiago Manzoni

Pilares do Conservadorismo

Nesta seção especial, colocamos em destaque os três principais pilares que sustentam o conservadorismo: tradicionalismo, ceticismo e organicismo. Aqui, convidamos você a explorar esses conceitos e compreender sua importância para a perspectiva conservadora.

Tradicionalismo

O tradicionalismo nos lembra que a sabedoria e a experiência acumuladas ao longo do tempo são inestimáveis. Ao honrar e valorizar as tradições, reconhecemos que elas são um legado precioso deixado por nossos antepassados, que enfrentaram desafios semelhantes aos que enfrentamos hoje.

Essas tradições englobam não apenas costumes e práticas, mas também princípios morais e éticos que moldam nossa sociedade. Elas são o alicerce de nossa identidade coletiva e fornecem um senso de continuidade em meio às rápidas mudanças do mundo moderno.

Ao adotar uma abordagem tradicionalista, buscamos equilibrar a preservação do passado com a necessidade de adaptação às novas realidades. Reconhecemos que nem todas as mudanças são benéficas ou progressivas, e que é importante avaliar cuidadosamente os impactos de qualquer transformação em nossa cultura e sociedade.

Ceticismo

Os conservadores compreendem que o conhecimento humano é limitado pelas circunstâncias e pela própria imperfeição do ser humano. Portanto, acreditam que é impossível construir uma sociedade perfeita através de projetos políticos grandiosos fundamentados em teorias idealistas. O ceticismo político conservador nos lembra da importância de reconhecer as limitações do nosso conhecimento e evitar a busca por utopias políticas.

Ao adotar o ceticismo, os conservadores enfatizam a prudência aristotélica, uma virtude que os orienta na escolha dos meios e fins corretos. A prudência é a sabedoria prática que nos permite agir de forma cautelosa e adequada, levando em consideração as circunstâncias e buscando o bem comum. Os conservadores compreendem que é preciso ter cautela ao elaborar projetos políticos e evitar meios fraudulentos ou desonestos para alcançar determinados fins.

Organicismo

O organicismo reconhece que a sociedade é um organismo complexo, onde cada indivíduo, instituição e grupo desempenha um papel fundamental para o funcionamento harmonioso do todo. Assim como um organismo vivo, a sociedade requer equilíbrio e cooperação entre seus componentes.

Ao adotar o organicismo, buscamos compreender a interconectividade e a interdependência dos diversos elementos que compõem a sociedade. Reconhecemos que as ações individuais têm impacto na coletividade e que a preservação do equilíbrio social é essencial para o bem-estar de todos.

Este pilar nos convida a valorizar e promover as instituições e estruturas que sustentam a ordem social, como a família, a comunidade e as tradições. Ao reconhecer a importância desses elementos, buscamos fortalecer os laços sociais e preservar a estabilidade necessária para o progresso contínuo.

Cetismo
Pilares do Conservadorismo
Argumentos

Valor da conduta individual e contribuição na comunidade

O valor da conduta individual e contribuição na comunidade são pilares fundamentais para o desenvolvimento de uma sociedade saudável e próspera. Cada indivíduo desempenha um papel crucial de maneira responsável e ética, contribuindo positivamente com sua comunidade. Através de ações virtuosas, como respeito, solidariedade e integridade, podemos construir relações de confiança e fortalecer os laços sociais. Ao assumir essa responsabilidade individual e trabalhar em prol do bem comum, podemos colher benefícios duradouros, promovendo um ambiente harmonioso e uma sociedade mais justa e equilibrada.

Rejeição dos conservadores às utopias políticas

Ao contrário das utopias políticas, os conservadores valorizam a prudência e a sabedoria prática, reconhecendo que a mudança deve ser gradual, respeitando a tradição e levando em conta as circunstâncias e as experiências históricas. Eles compreendem que a sociedade é um organismo complexo, formado por instituições, costumes e valores que se desenvolveram ao longo do tempo.

Os conservadores acreditam que as utopias políticas tendem a desconsiderar a realidade humana, as diversidades culturais e as complexidades das relações sociais. Ao tentar impor um projeto político baseado em uma visão abstrata, as utopias políticas frequentemente levam a resultados desastrosos, gerando desordem, violência e  supressão das liberdades individuais.

Defesa das instituições adequadas à cultura política de cada país

Os conservadores entendem que as instituições não devem ser tratadas de forma abstrata, desvinculadas da realidade e das particularidades de cada cultura política. Cada país possui sua própria história, tradições e valores, que moldam sua forma de organização política. Portanto, as instituições devem respeitar a identidade e as características específicas de cada nação.

Ao defender as instituições adequadas à cultura política de cada país, os conservadores reconhecem a importância de um sistema político que respeite e promova os valores e princípios que são caros àquela sociedade. Isso não implica uma resistência à mudança ou uma rigidez imutável, mas sim uma abordagem prudente que busca equilibrar a preservação das instituições que se mostraram eficazes e coerentes com a realidade cultural de um povo, com a necessidade de evolução e adaptação às demandas contemporâneas.

Prudência como virtude fundamental

A prudência implica reconhecer os limites do conhecimento humano e a complexidade das interações sociais. O conservador entende que não é possível construir uma sociedade perfeita a partir de uma teoria abstrata, pois reconhece a imperfeição humana e as limitações inerentes à condição humana.

A prudência conservadora exige a consideração das circunstâncias históricas, culturais e institucionais, levando em conta a sabedoria acumulada ao longo do tempo. Ela valoriza a preservação das tradições e dos costumes que se mostraram benéficos para a sociedade, ao mesmo tempo em que admite a necessidade de mudanças graduais e adaptativas, sempre preservando a continuidade entre passado, presente e futuro.

Valorização das tradições e compreensão do passado

As tradições são consideradas como um valioso patrimônio cultural e social, acumulando sabedoria e experiências ao longo do tempo. O conservador compreende que as tradições não devem ser seguidas cegamente, mas avaliadas de forma crítica, reconhecendo seus acertos e erros. Dessa forma, as tradições se tornam um guia para orientar a ação presente, permitindo a continuidade daquilo que se mostrou virtuoso ao longo da história.

Ao valorizar as tradições, o conservador busca preservar as conquistas e os valores que foram bem-sucedidos no passado, contribuindo para a estabilidade e a coesão social. Essa valorização não implica uma mera resistência à mudança e sim uma abordagem prudente, que busca equilibrar a preservação das tradições com a necessidade de adaptação às demandas contemporâneas.

Rejeição aos radicalismos e extremos

Os radicais e extremistas tendem a adotar posições inflexíveis e absolutistas, buscando impor suas visões de mundo sem levar em consideração as nuances e complexidades da realidade. Eles defendem mudanças abruptas, sem considerar as consequências a longo prazo e sem respeitar as tradições e os valores estabelecidos ao longo do tempo.

Os conservadores, por outro lado, valorizam a estabilidade, a ordem e a continuidade. Eles reconhecem a importância das instituições, tradições e valores transmitidos ao longo da história, compreendendo que mudanças devem ser feitas de forma gradual e cautelosa, preservando o que é positivo e funcional.

Ao rejeitar os radicalismos e extremos, os conservadores buscam evitar os excessos e os conflitos sociais que podem surgir a partir de visões extremas e irreflexivas. Eles procuram promover o diálogo construtivo, o respeito pelas diferenças e a busca por soluções que conciliem diferentes perspectivas, visando ao bem comum e à estabilidade social.

Os dez princípios que delineiam o conservadorismo

Conheça mais sobre a essência do conservadorismo através dos princípios delineados por Russell Kirk, um dos maiores expoentes do conservadorismo anglo-saxão do século XX. Compreenda a importância da tradição, do ceticismo e do organicismo, e descubra como o conservadorismo oferece uma perspectiva sólida diante dos desafios da sociedade contemporânea.

Dez princípios

01

O conservador acredita que há uma ordem moral duradoura: "uma sociedade em que homens e mulheres são governados pela crença em uma ordem moral duradoura, por um forte senso de certo e errado, por convicções pessoais de justiça e de honra, será uma boa sociedade - seja qual for o mecanismo político utilizado; enquanto na sociedade, homens e mulheres estiverem moralmente à deriva, ignorantes das normas e voltados principalmente para a gratificação dos apetites, essa será uma sociedade ruim - não importa quantas pessoas votem, ou quão liberal seja a ordem constitucional formal"

04

Os conservadores são guiados pelo princípio da prudência: Kirk frisa que Burke e Platão convergem ao dizer que no estadista "a prudência é a maior das virtudes" e que qualquer medida pública "deve ser julgada pelas suas consequências de longo prazo, não apenas por suas vantagens ou popularidades temporárias". O conservador considera que "os esquerdistas e os radicais são imprudentes, pois se lançam impetuosamente em direção aos próprios objetivos, sem dar muita atenção ao risco de novos abusos, ainda piores que os males que querem debelar". Sendo complexa a sociedade humana, "as soluções não podem ser simples, se têm de ser eficazes. O conservador declara agir somente após suficiente reflexão, tendo sopesado as consequências. Reformas rápidas e agressivas são tão perigosas quanto cirurgias rápidas e agressivas".

07

Os conservadores estão convencidos de que a liberdade e a propriedade estão intimamente ligadas: "Sobre o fundamento da propriedade privada grandes civilizações são erigidas. Quanto mais difundida for a propriedade privada, tanto mais estável e produtiva será a comunidade política". Isso se dá porque "poder conservar os frutos do próprio trabalho; poder ver que o próprio trabalho é duradouro; poder deixar as próprias posses aos descendentes; poder elevar-se da condição natural de uma pobreza opressora à segurança das conquistas permanentes; possuir algo que é realmente seu, são vantagens inegáveis". A propriedade estabelece deveres aos possuidores e ele aceita com satisfação tais obrigações morais e legais.

10

O conservador razoável entende que a permanência e a mudança devem ser reconhecidas e reconciliadas em uma sociedade vigorosa: " o conservador não se opõe a melhoras sociais, embora duvide da existência de qualquer tipo de força semelhante a um progresso místico, com 'P' maiúsculo, em ação no mundo". Qualquer sociedade saudável é afetada por duas forças que Samuel Taylor Coleridge chamava de permanência e progressão. A primeira é o conjunto de "interesses e convicções duradouros que nos dão estabilidade e continuidade; sem essa permanência, as fontes do grande abismo se rompem, jogando a sociedade na anarquia. A progressão em sociedade consiste naquele espírito e conjunto de talentos que incitam a reforma e a melhora prudentes; sem tal progresso, o povo fica estagnado". Assim, o conservador favorece o "progresso refletido e moderado; e opõe-se ao culto do progresso, cujos devotos acreditam que tudo novo é necessariamente superior ao que é antigo". O conservador defende que em uma sociedade "nada seja totalmente velho ou totalmente novo. Essa é a maneira pela qual se conserva uma nação, da mesma forma que se conserva um organismo vivo". O grau de mudança e de permanência irá sempre depender das circunstâncias de determinada época ou nação.

Kirk, Russel, A Política da Prudência, Ed. É Realizações, 2013 (pg 103)

02

O conservador adere aos costumes, à convenção e à continuidade: "são antigos os costumes que permitem que as pessoas vivam juntas e em paz; os destruidores dos costumes demolem mais do que suspeitam, ou desejam. É por meio da convenção que conseguimos evitar disputas perpétuas sobre direitos e deveres". "Os conservadores são defensores dos costumes, da convenção e da continuidade, porque preferem o mal que conhecem ao mal que não conhecem. Ordem, liberdade e justiça são os produtos artificiais de uma longa experiência social, o resultado de séculos de experimento, reflexão e sacrifício. O corpo social é, dessa forma, um tipo de corporação espiritual" e "a continuidade, o fluido vital de uma sociedade, não pode ser interrompida". Kirk ressalta ainda que "a lembrança, feita por Edmund Burke, da necessidade de mudança prudente está sempre na mente dos conservadores; mas a necessária mudança, argumentam, deve ser gradual e judiciosa, nunca desenraizando antigos interesses de um só golpe".

05

Conservadores prestam atenção ao princípio da variedade: Conservadores se afeiçoam "à complexidade prolífera das instituições sociais há muito estabelecidas e seus modos de vida, em contraposição à uniformidade estreita e ao igualitarismo sufocante dos sistemas radicais". Para que haja uma "diversidade saudável em qualquer civilização, devem remanescer ordens e classes, diferenças na condição material, e muitos tipos de desigualdade", pois "as tentativas de nivelamento levam, na melhor das hipóteses, à estagnação social" e se "as diferenças naturais institucionais entre as pessoas forem destruídas, em breve algum tirano ou alguma sórdida oligarquia criarão novas formas de desigualdade", ou seja, atentar de forma artificial contra as diferenças naturais pode gerar um estado ainda mais agravado de desigualdades arbitrariamente obtidas.

08

Conservadores defendem comunidades voluntárias, da mesma forma que se opõem a um coletivismo involuntário: o povo americano sempre foi afeito à privacidade e aos direitos individuais, mas também é "notável pelo sucesso de seu espírito comunitário". As tomadas de decisões que mais afetam a vida dos cidadãos são feitas de forma local e voluntariamente, por vezes por instituições políticas, mas também por associações privadas que promovem uma concórdia geral entre aqueles que a integram, constituindo uma comunidade saudável. Quando tais funções são "usurpadas ou transferidas a uma autoridade centralizada, então a comunidade se encontra em sério perigo" e ocorre um "processo padronizante, hostil à liberdade e à dignidade humana". "É a execução de nossos deveres na comunidade que nos ensina prudência, eficiência e caridade".

03

Os conservadores acreditam no que se pode chamar de princípio da consagração pelo uso: "as pessoas na era moderna são anões nos ombros de gigantes, capazes de enxergar muito além dos antepassados apenas por causa da grande estatura daqueles que os precederam". Ressalta Kirk que "Nossa moralidade é, em grande parte, consagrada pelo uso. Conservadores afirmam ser improvável que nós, modernos, façamos qualquer descoberta nova e extraordinária em moral, política ou gosto". Dizia Burke que "o indivíduo é tolo, mas a espécie é sábia" e assim Kirk arremata que "na política, faremos bem se permanecermos fiéis a preceitos e pré-cognições, e até inferências, já que o grande e misterioso grêmio da raça humana obtém, pelo uso consagrado, uma sabedoria muito maior do que qualquer mesquinho raciocínio privado de um ser humano individual".

06

Conservadores são disciplinados pelo princípio da imperfectibilidade: a natureza humana é inevitavelmente falha, sabem os conservadores e, portanto, uma ordem social perfeita jamais pode ser criada. Desse modo, "objetivar a utopia é terminar em desastre" e tudo o que se pode almejar, razoavelmente, é "uma sociedade tolerantemente ordenada, justa e livre na qual alguns males, desajustes e sofrimentos continuam à espreita". Quando "as antigas defesas morais e institucionais de uma nação forem esquecidas, irrompe o impulso anárquico no homem" e, arremata Kirk,  "os ideólogos que prometiam a perfeição do homem e a sociedade converteram grande parte do mundo no século XX em um inferno terreno".

09

O conservador vê a necessidade de limites prudentes sobre o poder e as paixões humanas: "um Estado em que um indivíduo ou pequeno grupo é capaz de dominar as vontades dos pares sem restrições é despótico, seja chamado de monarquia, aristocracia ou democracia". E quando "cada um pretende ser um poder em si mesmo, então a sociedade cai na anarquia" e à anarquia se sucedem "a tirania ou a oligarquia, nas quais o poder é monopolizado por poucos". Tendo isso em mente, o conservador busca "limitar e equilibrar o poder político, de modo que a anarquia e a tirania não tenham chances de surgir". Restrições "constitucionais, freios e contrapesos políticos, um cumprimento adequado das leis, a velha e intrincada rede sobre a vontade e o apetite são aprovados pelo conservador como instrumentos da liberdade e da ordem".
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